Thursday, March 29, 2007

A rainha me ama!!!

Poxa. Faz um tempo que nao escrevo nada, ne?

Desculpas sao coisas que nao me faltam.

Pra comecar, passei uma semana fora. Fui pra Paris e pra Bruxelas. Cidades lindas!

Quando voltei, fui diretamente pra minha casa nova. La, moro com minha namorada, uma amiga dela (baranga e chata) e um camarada bicho-grilo. Como ainda nao temos internet na casa, nao pude conectar meu computador na rede mundial para publicar meus textos.

Dessa forma, tive que tirar um tempinho aqui na escola so pra dizer que estou vivo, bem e na correria, como sempre.

Tambem nao desencanei do blog. Assim que a internet estiver em ordem, voltarei a atualizado periodicamente.

Pra finalizar, outra coisa muito importante: NAO, EU NAO ESTOU ILEGAl. Ao contrario do que muitos de voces pensam, tenho visto ate o fim de junho de 2008.

A rainha me ama. ;-)


beijos a todos

Thursday, February 08, 2007

Da maior nevasca dos últimos sete anos surge o meu primeiro boneco de neve


Como diria um dos ícones dos anos 80, o Mussum, do programa “Os Trapalhões” (que Deus o tenha): cacilds! Os meteorologistas previam muita neve para hoje, 8/2/2007. Eles acertaram. Nevou muito. Por sorte, minha namorada me ligou bem cedinho para que eu pudesse ver os cerca de 10 centímetros de floquinhos brancos espalhados pelo chão. E não parava de nevar.

Vi neve pela primeira vez no fim de 2005. Foi fraquinha. Rápida. “Bonitinha, mas ordinária”, como diria o outro. Vieram outras, mas igualmente inexpressivas.

Desta vez não. Outro dia a neve congelou até minhas cuecas. Hoje, melhor ainda, deu até para fazer boneco de neve. Bem abominável, é verdade. Mas o que fazer com a minha falta de prática(totalmente justificável)?

Fazer bonecos de neve no inverno europeu é algo semelhante aos castelinhos de areia que nós, brasileiros, estamos acostumados a fazer em nossas praias durante o verão. Legal pra caral**!

*Na foto, meu primeiro boneco de neve morre de frio por casa do frio (rá!). A banana, em local estratégico, dá notas tropicais à obra. :-)

Wednesday, January 24, 2007

Neve invade meu quintal e congela minha cueca


"Notícia num blog é o estado de saúde do seu gato, uma piada do Chuck Norris ou vídeos do You Tube", declarou Wagner Nogueira, o Mr. Manson do site http://www.cocadaboa.com/, durante um debate sobre blogs realizado na Editora Abril (fonte: www.cursoabril.com.br).

Já que é assim, noticio em primeira mão e com fotos e declarações exclusivas (minhas, é claro!), como a tempestade de neve na Europa atingiu o meu quintal aqui em Londres. “Esse aquecimento global está terrível”, declaro eu. “Semana passada foram os ventos que derrubaram o muro aqui do quintal de casa. Agora, essa neve que veio pra congelar minhas cuecas penduradas no varal. Sem contar o frio lascado que está fazendo”, ataco. “Mas que foi bonito acordar hoje e ver tudo branquinho, parecendo espuma de sabão, isso foi”, concluo com o coração derrentendo.

* Na foto, meu quintal devastado pelas ventanias da semana passada e pela neve de ontem e minha cueca e meias congeladas.

Tuesday, January 23, 2007

Três livros para ler antes, durante e depois de morar em Londres


Está pensando em passar uma temporada em Londres? Então, em vez de dizer qual é a melhor forma de vir para esta cidade ou sobre quais os passeios e baladas da moda, indico três livros (só três. Dá para ler durante o um mês ou dois em que espera o visto de estudante chegar) que mostram um outro ponto de vista da cidade e do espírito inglês. Aliás, mesmo que não queira vir para cá, tenho certeza que vai aprender e, principalmente, se divertir muito com essas leituras.


The Buddha of Suburbia (Buda de Subúrbio), de Hanif Kureish

Antes de vir para Londres, eu imaginava uma Inglaterra beirando a totalidade branca. Ingenuidade minha. Tem gente do mundo inteiro aqui. Muita gente. Mas enquanto eu vejo isso de forma lúdica, o personagem Karin, um jovem inglês - filho de pai indiano e de mãe inglesa -, acha o fim do mundo. Ele sofre com a miscigenação e o preconceito dos brancos por causa de sua pele escura. E assim vai durante o transcorrer de sua adolescência para o mundo adulto. No decorrer de sua tragicomédia (mais comédia do que qualquer outra coisa), Cream, como é conhecido pelos amigos, apresenta ao leitor alguns personagens típicos dessa cidade, assim como pontos-turísticos, mesmo que não sejam vistos como tal pelo narrador (o contrário seria a mesma coisa de um paulistano dizer que o Parque do Ibirapuera é seu ponto turístico preferido. Não. Para ele é somente mais uma parte da cidade).


The curious incident of the dog in the night-time (O estranho caso do cachorro morto), de Mark Haddon

Inglês aprende a ser sarcástico desde criançinha. É o jeito que a língua funciona, que os pais educam e que os livros (ficcionais) ensinam, como esse aí de cima. Em The curious incident of the dog in the night-time, um jovem de 15 anos com “necessidades especiais” (ele é autista) tenta descobrir quem foi que matou o cachorro da sua vizinha. Assim, ele investiga todos os suspeitos daquela pacata cidade do interior da Inglaterra. Na medida em que prossegue em sua empreitada, descobre coisas assustadoras para seu compreendimento e decide fugir. Vai parar em Londres, onde sua cabecinha atormentada vai se abrindo para a vida. O garoto também é um ótimo guia turístico, incluindo em sua descrição vários símbolos da cidade, como o do metrô, do trem e alguns mapas.


The astrological diary of God (acho que ainda não foi traduzido para o português. Se alguma editora se interessar, posso fazê-lo. Cobro baratinho), de Bo Fowler

Este é um dos livros mais engraçados que você vai ler na sua vida. É o bom e velho humor inglês literalmente tirando um sarro de deus. É isso mesmo. A história tem como personagem central o próprio. Trata-se de um kamikaze que, depois de falhar em diversas missões suicidas, descobre que é Deus. Como tal, baseia sua vida e a de seus seguidores em um livro-guia astrológico. Sugere até animal de estimação de acordo com o signo de cada um (eu ia me dar muito mal. Sou escorpião). Enquanto isso, seus advogados tentam livrá-lo de uma acusação grave: a destruição do universo.

* Na foto, eu lendo um dos meus livros favoritos: The Buddha of Suburbia, de Hanif Kuraish. A obra pode ser encontrada em português sob o título "Buda de subúrbio".

Tuesday, January 16, 2007

O poder da palavra

Ontem, 15/2, li em algum site brasileiro que a Alemanha vai tentar levar a outros países da União Européia a sua lei que proíbe a negação do holocausto e o uso de símbolos nazistas. Até aí, tudo bem. O país irá presidir o bloco político-econômico a partir do próximo ano e tem todo o direito de querer influenciar seus vizinhos e o mundo a respeito daquilo que acredita ser correto.

O estranho naquela reportagem foi que o jornalista utilizou como fonte a rede de notícias britânica BBC. Se a medida anunciada será tomada pelo governo alemão, porque raios a fonte consultada não foi daquele país?

É amigo. Taí o grande poder do mundo. O poder da comunicação. A Inglaterra venceu a maior das guerras: a de se fazer entender. A Inglaterra e também os Estados Unidos são os únicos países do mundo que podem contar o que quiserem da forma que quiserem. O mundo fala a língua deles. Se algo acontece na Europa, a versão da história será a inglesa, da BBC, como ficou provado na reportagem em que li.

Como reles ser-humano (assim como todo ser-humano não é mais do que uma reles criatura), rezo para que a ética vingue num mundo incompetente. Pelo menos assim, se os profissionais de imprensa não podem realizar um trabalho 100%, que pelo menos as fontes de suas fontes sejam honestas sufiente para que a história não se distorça tanto.

Wednesday, January 03, 2007

Personalidade do ano e matéria escolhida como uma das 20 melhores da história da Superinteressante!!! É, 2006 foi um ano bom


Cheguei exausto ao fim de 2006, mas posso dizer de boca cheia “MAS QUE PUTA ANO BOM!”

Por que?

Carrego dois grandes resultados na minha carreira profissional. Não por causa do trabalho atual, mas pela atividade que venho me dedicando desde a faculdade: o jornalismo.

O primeiro é a publicação de um dos meus trabalhos na edição especial de aniversário da revista Superinteressante - As 20 melhores matérias da história da Super – onde abordamos o funcionamento do tráfico de drogas nas favelas e qual seria a ação ideal da polícia para estourar um boca-de-fumo. Em 2005, ele até nos rendeu uma medalha de ouro no Prêmio Malofiej, que é entregue pela Universidade de Navarra (Espanha) às melhores infografias do mundo, e uma indicação ao Prêmio Abril de Jornalismo, da Editora Abril.

O outro vem da revista Time, que me escolheu (sim. Eu mesmo! Confira no site http://www.time.com/ – está em inglês) "a personalidade de 2006”.

É mole? Meu pai e minha mãe devem estar orgulhosos de mim. :-)

* Na foto, comemoro minhas valiosas conquistas com meu valioso troféu algodoeiro. Agora, não preciso mais pagar o aluguel nem o transporte público (Antes preciso convencer o dono da casa e a rainha de que sou merecedor desses benefícios). Rá!

Tuesday, November 21, 2006

Oi Henrique

Tudo bem?

Eu queria tanto poder falar com voce. Estamos vivendo tantas coisas parecidas… Desde que voltei do Brasil fico me perguntando se vale a pena ficar mais tempo aqui ou voltar para o Brasil, mesmo sem ter um emprego por lá e ter a possibilidade de amargar um bom tempo de vacas magras…

Outro dia li um cara, especialista em RH, que dizia: "as vezes cinco anos de experiência pode significar cinco vezes a repetição da mesma coisa". Lembrei-me de você completando seus trinta anos de novo. O engraçado é que no Brasil parece que as coisas pararam no instante que eu o deixei. Gostaria de ficar só mais alguns meses aqui, até maio ou junho. Assim teria tempo de terminar o que comecei e voltar tranqüila, sem deixar o meu chefe na mão. E ainda batalhar por aulas do segundo semestre noBrasil.

Estou tão cansada da convivência com os brasileiros ilegais. As vezes me pego sentindo um enorme carinho por eles, afinal me ajudam muito. São eles que cuidam de mim quando fico doente, triste. Mas sempre tento não me envolver demais, pois sei bem que a vida de boa parte deles é baseada em mentiras e mais mentiras.

As mentiras são tantas que as vezes parecem verdade, decentes, aceitáveis... pessoas de bem.

A vida com os americanos também não é tao fácil. São prestativos mas educadamente ignorantes e ignorantemente preconceituosos.

Um beijo,

Silvia Oloris

* Silvia vive há uns bons anos nos Estados Unidos, onde trabalha em pesquisas ligadas ao câncer e à imunoterapia. Agora, depois de desistir de desistir da vida por lá, prepara-se para ir à Minnesota junto com o labaratório de seu chefe. Vai ganhar mais dinheiro e mais flexibilidade.

Saturday, November 11, 2006

O fantástico mundo virtual e o sangue borbotoante de Mino e Mainardi

Sou adicto, não nego! Minha droga de escolha é a internet. Enche-me de ânimo a possiblidade de falar com gente do mundo todo (não que eu o faça), assim como saber o que acontece ao redor do globo e, principalmente, no meu Brasilzão. Mais ainda nesse quase um ano e meio que estou fora. E o melhor: tudo isso sem gastar um tostão furado (quer dizer... uns tostões sempre gastamos).

Esta semana minha atenção está voltada para a troca de porradas virtuais entre Mino Carta e Diogo Mainardi. Ambos são jornalistas renomados. Tiveram e têm um grande poder nas mãos. Carta já trabalhou para o Jornal da Tarde, Quatro Rodas, Veja e hoje dirige a redação da Carta Capital. Mainardi é colunista da revista Veja e, se não me engano, apresenta ou apresentava o programa Conexão Manhattan. Ambos são conhecidos por um temperamento um tanto quanto tempestuoso.

Se querem se divertir como eu estou me divertindo, visitem o Blog do Mino e leiam sua defesa-ataque ao que Mainardi declarou em seu espaço, no Podcast da Veja. Espero que a briga continue na semana que vem.

Tuesday, November 07, 2006

30 de novo

Sábado passado, dia 4 de novembro de 2006, completei mais uma primavera, como gostava de brincar o meu amigo Guilherme. Seria primavera se eu estivesse no Brasil. Como estou na Inglaterra, é outono. E outono com cara de inverno brasileiro. Mais especificamente o inverno de Vargem Grande Paulista, onde, vez ou outra, os termômetros batem no congelante zero grau.

Mas isso não vem ao caso. O que importa é que esta é a segunda vez que completo mais um ano de vida aqui em Londres. Diferentemente do primeiro, quando fiz 30 pela primeira vez, estou mais acostumado com a cidade e com a vida dura, que nem está tão dura assim (pôxa. Acostumei mesmo). Também tenho um círculo de amigos bem interessantes. Não que os de um ano atrás não fossem. Eram. Mas em menor número (uns, tenho que dizer, eram estúpidos mesmo. Outros, continuam meus amigos). Sem contar que eu não tinha “tempo” livre para desfrutar daquelas companhias. Então, acho que proporcionalmente, tornei-me menos desinteressante.

O que eu quero dizer é que agora, quando completo 30 de novo, sinto-me mais em casa. Também sinto-me mais acolhido e acolhedor. E junto com isso tudo não estou sentindo um ano a mais nas costas. Tanto que, deliberadamente e descaradamente, repito a mesma idade do ano passado (meu irmão do meio, o Fabrício, vulgo Fafá, que não gostou muito. Ímagino que seja porque ele me alcançará a partir do dia 4 de fereiro próximo. Azar o dele! rerererere).

Bem que dizem que o ser humano é capaz de se adaptar a qualquer situação. Verdade pura!!!
Isso faz com que eu me sinta mais humano!

* Nas fotos, eu e elas, do jeito que tem que ser, e alguns camaradinhas.

Sunday, October 15, 2006

Fernando Pessoa e a lua e eu e o Brasil


Pessoa (Fernando) disse que “a lua (dizem os ingleses) é azul de quando em quando”.
“Será?”, pensei eu meio que duvidando.

E outro dia mesmo, supreendendo-me como que de propósito, ela brilhava no céu com sua aura totalmente azulada. Um tanto diferente da amarelada e da esbranquiçada, que eu estava acostumado a apreciar.

Mais surpresa teve pela frente. Numa outra noite, só para esnobar, o satélite esverdeou.

Put* que pariu: verde, amarelo, azul e branco na lua! Ou eu aluei-me ou estou com muita saudade do Brasil.

* Na foto, a lua mostra sua aura azulada no céu da Inglaterra.

Saturday, October 07, 2006

Ainda bem que sou apenas um rapaz latino americano


Que graça teria ver o Big Ben, a London Eye, o British Museum e tantas outras coisas mais se eu fosse inglês? Será que meus olhos encantar-se-iam ao se depararem com o Queen Mary’s Garden, no Regents Park? E que valor teria uma morena (ou loura, ou ruiva, ou...) alta (ou baixa), magra e de olhos azuis (ou verdes) se eu as tivesse abundantemente disponíveis para, no mínimo, um deleite de olhar?

Se eu fosse inglês, o relojão ali do Parlamento serviria apenas para me dizer a hora do chá e todos os olhos de todas as minhas mulheres seriam friamente azuis. Da mesma forma, todo o meu mundo seria visto sob essa óptica. Por isso eu beberia a valer.

Pior ainda seria se eu fose do leste europeu. Dependendo do meu país de origem, eu teria os mesmos direitos trabalhistas dos ingleses. Seria até mesmo parecido com eles. Poderia pegar um avião na sexta-feira à noite e, em poucas horas, estar com minha família para o jantar. Mas nada mudaria a minha origem pobre e sofrida. Mesmo sendo branco (porque se eu fosse do leste europeu acharia que os brancos são realmente uma raça superior), eu ainda teria que trabalhar como um estúpido e ganhar menos até do que os sul-americanos. Acharia também que os ingleses são as pessoas mais importantes do mundo tão e somente porque são mais ricos do que eu.

Ainda bem que eu venho de um país tropical.

* Na foto, eu finjo que sou inglês ao virar as costas para o Big Ben, o relógio mais famoso do mundo. Mas isso diz nada, diz?

Thursday, September 28, 2006

A lua, o Thames e o raio dos Ups and Downs


Ups and downs é uma expressão em inglês usada para explicar a personalidade instável de uma pessoa. Pode ser comparada aos “altos e baixos” que se diz no Brasil. Por exemplo, se fulano sente-se bem pode-se dizer que está up, para cima. O contrário disso é o down, “para baixo”.

No Brasil, diz-se também que as pessoas com essas características são “de lua”. Nunca havia entendido direito o porquê desse termo. Bem verdade também que eu nunca havia parado para pensar sobre o assunto. Até o dia em que o professor apresentou à minha classe esse tal de ups and downs.

Daí a ligar o termo ao “de lua” foi um dois. Bastou eu cruzar o River Thames de manhã e à tarde do mesmo dia para notar o espetáculo da natureza alumiando minhas idéias. Cedinho, o rio estava baixo, quase vazio. O casco do barquinho raspava o fundo de areia (estou exagerando um pouco, tá certo?). Já mais a tardezinha, as águas enraiveceram e tomaram conta do pedaço, como que para lembrar quem é que manda ali.

Mas quem é que manda ali?

As águas não. Essas são simples títeres nas mão invisíveis e magnéticas da lua que, aí sim, comanda o sobe-e-desce da maré. E como o River Thames está praticamente no mesmo nível do mar, também sofre toda essa influência. A mudança de maré ocorre aproximadamente a cada seis horas, variando conforme a lua vigente. (Claro que isso eu não tirei da minha cabeça. Foi o comandante do barco que eu pego todos os dias que me disse. Tem gente que diz que a cheia e a vazante são controladas por comportas.)

* Na foto à esquerda, o River Thames de manhã, quando ainda estava triste e vazio (Um down dos diabos). Ao lado, já ao entardecer, estava todo pimpolho com um up de invejar.

Wednesday, September 20, 2006

Quem tem medo do PCC?


Leicester Square é um dos pontos mais balados da cidade. Principalmente em dias de lançamentos de filmes. A Odeon, uma das maiores redes de salas de cinema da cidade, costuma receber atores como Tom Cruise, Brandon Routh (o novo Superman), Jonny Deep entre outros, que promovem seus filmes naquele por lá.

Mas é em uma ruazinha ali do lado que fica o meu cinema favorito. É o PCC – Prince Charles Cinema. Além de passar clássicos da telona, as entradas são disparadas as mais baratas. Em dia caro, o ingresso custa 4,50 libras. Às sextas-feiras, somente uma mísera libra. Aliás, não só o filme, mas também a cerveja, o refrigerante, a pipoca, os doces, os salgados e tudo mais apresentado na prateleira da lanchonete do cinema.

Como deu para perceber, o PCC daqui também é um perigo. Mata a concorrência (ra. Eu e meu humor inglês)!

* Na foto, eu faço pose de ator bem na frente do PCC.

Wednesday, September 13, 2006

Hoje, o Blog é do meu amigo Joe


Olá “blogueteiros” de plantão, como vão?

Peço licença aos fiéis leitores deste que considero um diário da mais autêntica experiência de vida e não simplesmente um blog, para expressar um pouco da minha experiência de vida.

Com certeza vocês devem se perguntar agora, “quem é esse intruso?”. Eu sou o JOE. The Good Old Joe. Um dos responsáveis pela ida do Henrique, the Poisoned Heart, para a terra onde os cachorros não latem, as pessoas não riem e as moscas te perseguem.
Sou um fiel amigo do Fofo (é! O apelido dele no Brás(z?)il é Fofo, ou Smoothy agora que ele virou ingrêis.), mas esse é um detalhe para um próximo episódio. E eu recebi um ilustre convite para escrever uma passagem minha qualquer na terra da bandeira da cruz vermelha.

Antes de continuar, não, eu não desdenho a Inglaterra, e com exceção de argentinos, árabes extremistas e japoneses kamikases, amo muito todos os povos do mundo. Amo inclusive essa nação bretã e por isso me permito apelidar e brincar com o mais bagunçado dos paises do Reino Unido.

Por isso mesmo que escreverei não sobre uma passagem apenas, mas sobre um sentimento: amizade entre os povos. (sim, por que falar entre amor entre raças ou vira filme pornô ou livro utópico-religioso, então amizade entre os povos é mais real).

Vivi o melhor ano de minha vida aí. Fiz tudo como manda o figurino, estudei, lavei prato, limpei privada, fui barman, fiz dezenas de amigos, conhecidos, colegas, inimigos, invejosos, (filhos?) e curiosos, tomei todas, não guardei um puto e voltei. Por isso posso dissertar com propriedade.

Eu disse há pouco (de fora) que sou um dos responsáveis pela ida do Fofo, para a Grande Bretanha e é verdade. Quando há dois anos morei aí, instiguei-o quase que diariamente para que largasse o trabalho e desse uma reviravolta na sua vida, que até então estava boa, mas podia ficar melhor. Mas Deus quis que não fosse a hora ainda e quando eu voltei ele foi-se.

Mas atendo-me ao fato da minha presença aqui, li com orgulho todos os textos desse blog e me inspirei para contar o porquê da existência dessa peça de crônicas que por hora exaltada ou por hora apaixonada expressa o sentimento diário de um estranho no meio de gente mais estranha ainda.

Quando ainda estávamos no Brasil, eu já retornado e ele para ir, decidimos escrever um livro juntos (plano esse em total vigência). O livro deveria retratar as experiências de dois brasileiros em Londres, em anos diferentes e com propósitos diferentes e mostrar como as situações, pensamentos e vivências são as mesmas.

Conversamos por inúmeras vezes (em sua esmagadora maioria acompanhados de todos os chopps possíveis) e percebemos que isso só não bastava. Falar sobre um brazuca na terra da Rainha seria chover no molhado, ou como eles dizem lá “that would be bloody bollocks”. Então, após alguns meses e muuuitas hi(e)stória nossas, decidimos descrever a visão de dois brazucas dos povos que habitam Londres.

Esse livro vai sair viu, por que, ah esses povos Londrinos. São tantos. Oriundos de todas as partes do globo, fazendo de Londres a cidade mais cosmopolita do planeta, sem dúvida alguma.

Um lugar onde se pode em poucas horas pegar um ônibus pilotado com maestria por um ganes, descer em qq lugar e comprar uma vodka que congela abaixo de 0 graus na conveniência de um indiano, cortar o cabelo em seguida com um russo que corta como ele quer, almoçar um belo kebab árabe, tirar uma foto para um chi-japo-kore-ano-nes, tomar uma pint servida por um brazuca e ir pra aula que está lotada com exemplares Americanos, Australoptecos, Sul Americanos, Orientais e se der sorte, até Eskimós, só pode acontecer em Londres.

Em Londres eu aprendi o significado de convivência. Aprendi que todos os bairrismos que cultivamos aqui no Brasil são atrasos de vida. Aprendi que odiar cariocas, xingar baianos, discriminar nortistas é além de baixo e pobre de espírito, pobre de convivência.
Com tantas culturas lá fora, se fechar num mundinho egoísta e pequeno te impede de crescer não só culturalmente mas também espiritualmente.

Fazer amigos e aprimorar sua massa encefálica não tem preço.

Minha vontade seria continuar verborragiando aqui e passar cada sentimento, cada experiência de vida, cada aprendizado que tive. Mas aí talvez só o Fofo fosse ler. Mas aguardemmmmm o livro.

Por isso vou terminar dizendo que eu acredito mesmo, que todo ser humano deveria passar um tempo fora de sua vidinha cotidiana. Ok, que não seja em Londres, mas que seja em algum lugar que proporcione tanto aprendizado quanto se pode ter lá.
Viaje cidadão. Sem medo! Viva essa experiência pois eu GARANTO que você não vai se arrepender.

Deixo a todos um enorme abraço, obrigado pela presença dos que chegaram até aqui e deixem seus comentários. Meu email é jhovac@gmail.com.

Fiquem a vontade de escrever o que quiserem.

Com carinho
Joe

* Na foto, o meu amigo Joe na época em que morava aqui em Londres. Naquele tempo ele era menos gordinho e tinha um pouco a mais de cabelo. Saudade docê, mano velho.

Tuesday, September 05, 2006

O mundo se divide em dois no parque mais bonito de Londres


Beleza, charme e notoriedade. O que mais dizer daquele que elegi como o parque mais bonito de Londres?

Não quero ser injusto com os outros grandes parques da cidade, que também são dotados de beleza ímpar, assim como charme e notoriedade. Mas Greenwich Park tem algo mais. Além de belos jardins e uma vista estupenda, suas terras são cortadas pelo Meridiano de Greenwich que, como aprendemos nas aulas de Geografia, divide o mundo em Ocidente e Oriente. Eu lembro que uma das minhas professoras me ensinou que as horas do mundo são contadas a partir dali.

Quer importância maior do que essa? Também nos tempos de primário, aprendi que o maior ditador do mundo não foi Hitler e tampouco está morto. O maior ditador do mundo, meus amigos, é o relógio. Mas acho que isso também não é novidade, é?

* Na foto à esquerda, o marco que divide o Ocidente (à direita ) do Oriente. Na outra, um dos belos jardins de Greenwich.

Tuesday, August 29, 2006

Eu fico triste quando chega o Carnival


Acho que Luís Melodia escreveu esse verso em Londres, durante um feriado bancário que marca o fim das férias de verão (este ano foi comemorado ontem, 28/8). Explico. Todo ano, quando as férias de verão acabam aqui na Inglaterra, centenas de milhares de pessoas se aglomeram nas ruas de “um lugar chamado Notting Hill”. Lá é realizada a maior festa de rua da Europa: o Carnival (carnaval).

Tem desfiles de umas coisas parecidas com escolas de samba. Ou, pelo menos, tentam ser parecidas. Em outra quadra, tem baile de afro-descendentes. E ainda em outra, uma rave só para brancos.

Eu como não gosto muito de me amontoar no meio da multidão, dei uma passadinha e me mandei. Mas teve muita gente que gostou da comemoração e ficou por lá até tarde da noite (não tão tarde assim, porque aqui a maioria das festas começam e terminam cedo).

Agora é começar a tirar os casacos do armário e esquentar o espírito para que fique preparado para o frio que já está chegando. É por isso que eu também fico triste quando chega o Carnival.

* Na foto, desfile de uma “escola de samba”, que foi assistido por cerca de 600.000 pessoas.

Tuesday, August 22, 2006

Já morei em tantas casas, que nem me lembro mais


Vida de cigano que se leva aqui em Londres. Semana passada cheguei em minha casa nova (foto). A quarta em 14 meses.

Primeiro fiquei hospedado na residência da Miss Deise, uma filipina que veio para esta cidade há mais de uma década. Fiquei lá por um mês. Depois me mudei para uma das casas do Dirceu, um figura conhecida dos brasileiros que moram aqui. Ele aluga quartos e suas casas são conhecidas por serem mais caras e cheias de ratos. Mesmo assim são disputadíssimas – apesar dos inconvenientes, as moradias são boas e o homem é de confiança.

Dalí fui morar em um flat com um amio, que agora é ex-amigo. Por umas pilantragens dele, tivémos que sair de lá e, agora, já estou na minha quarta casa.

Viver em Londres é viver de galho-em-galho. Você não mora em uma casa, mas na cidade.

* Na foto, minha casa nova. Quer dizer, o conjunto do qual a minha casa nova faz parte. Parece ser uma residência só, mas são três. O meu quarto está no térreo de frente para aquela árvore grande.

Thursday, August 17, 2006

Que bom que o Inter foi campeão


Não. Não fiquei louco. Também não peguei nenhuma gauchinha que me fez virar a casaca. Sou sãopaulino e queria que meu time fosse campeão da Libertadores pela quarta vez. Não foi desta vez.

Mas não lamento não. Será que meus amigos ligariam do Brasil para a Inglaterra às 4 horas da manhã (GMT) de uma quarta para quinta-feira só para me dizerem “Falou campeão, o São Paulo é o melhor mesmo”.

Aposto minha genitália que não!

Mas para cantarem o hino do Inter, até se eu estivesse no inferno.

Valeu Inter. Foi bom ouvir meus amigos de novo.

*Na foto, novamente afanada do site do ESTADÃO, o virtual vice-campeão brasileiro que, nesta quarta-feira, bateu o melhor time do mundo.

Monday, August 07, 2006

O pior de Londres são os brasileiros


Chega de falar mal dos outros. Falei dos chineses no post passado (A China e sua vitrine de patos assados). Eles são feios e nojentos sim, mas estão ficando ricos. Devo ter falado de outros povos em textos anteriores. Até chegaram a me sugerir mais nacionalidades para detonar. De certa forma, não sem razão. Mas chega disso. E o meu rabo? Por que não olho para o lado ruim dos brasileiros (como se fosse fácil achar lado bom)?

Todo mundo sabe que nós não somos bem vistos aqui no estrangeiro. De certo modo, o ressábio parece óbvio. Carol Woollery, uma senhora afro-inglesa militante de uma instituição que luta pela igualdade racial no Reino Unido, disse-me que seus conhecimentos sobre o Brasil são formados a partir do que a TV mostra. Ou seja, crianças negras vivendo nas ruas, onde roubam, matam, drogam-se e, principalmente, sofrem.

Como confiar em um povo que deixa suas proprias crianças, o futuro da nação, nessas condições? “Isso é proibido aqui”, ressaltaria ela.

Talvez o horror de Carol fosse maior se ela olhasse para os seus vizinhos brasileiros. Um bando de gente tentando levar vantagens em cima de todo mundo, inclusive de seus próprios compatriotas. Um bando de porcos achando que “são mais iguais que os outros”, porque, afinal, o mundo é dos espertos. E eles são espertos a valer. Simplesmente um bando que acha bacana roubar números de cartões de créditos para fazer compras, vender cursos que não existem, fazer cambalacho para conseguir visto e até produzir documentos falsos (dia desses foram presos dois brasileiros por conta disso).

Querem ser espertos? Então, por que não aprendem a lição inglesa de um tal de Robin Hood? Se for para roubar, que seja dos ricos para dar aos pobres.

Claro que tem brasileiro bom vivendo aqui. O problema é que o mal contamina. Daí não adianta ser cristão, budista, hare krishna, ateu ou o que for. "Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come."

* Na foto, um brasileiro (no caso eu) pensa na sujeira dos seus compatrícios bem na beiradinha do River Thamisa, cuja maré baixa deixava à vista bastante lixo. Pelo menos não fedia.

Wednesday, August 02, 2006

A China e sua vitrine de patos assados


A China ganha cada vez mais destaque na Inglaterra. Quem está por aqui pode constatar a impregnação de três símbolos daquele país: para começar, os próprios chineses, com seus olhinhos puxados, fala gritada e nervosa, dentes estragados, unhas sujas e um estranho hábito (para não dizer nojento) de comer com a boca aberta e fazendo barulho; o HSBC, um dos maiores bancos do mundo, cuja sede européia fica nesta cidade (ler Santíssima Trindade); e Chinatown, um pedaço da China em Londres.

Ali, uma rua de aproximadamente 500 metros, não se fala english (inglês) e sim “ingrish” (ingreis, né?). A identidade visual, por assim dizer, é chinesa. Os restaurantes são chineses com chefs chineses (pode parecer óbvio, mas não é. Eu mesmo trabalhei em um restaurante chinês em outro canto da cidade, onde os chefs eram um brasileiro, um eslovaco e um tcheco).

Apesar de encontrar tudo isso, o que mais me chamou a atenção em ChinaTown foi a vitrine de patos assados dos restaurantes. É uma mistura de cores que chega a ser bonita, mas ao mesmo tempo desgostosa devido a tolerância higiênica de um não-chinês.

Pelo menos pude perceber que até os patos da China são todos iguais, assim como as pessoas de lá.

* Na foto, produzida por Marilia Amorim, a vitrine de patos de um restaurante em ChinaTown. Como legítimos chineses, eles são todos iguais.