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Wednesday, October 05, 2011

Algo pretensiosamente inteligente sobre "Enfim, grávidos"

Quando pedi para autografar o meu exemplar de “Enfim, grávidos”, Hamilton não pensou duas vezes em pedir um comentário inteligente sobre o seu filho. Não. Não estou falando do Pequeno Boxeador. Refiro-me aqui ao seu filho de papel e tinta, que conta a jornada que enfrentou até a chegada, aí sim, do filho de carne e osso.

Com o Hamilton é desse jeito. Não basta simplesmente fazer. É preciso fazer, no mínimo, com uma certa elegância. Não sei se ele pede isso para todos, somente para os que podem escrever algo inteligente ou, ainda, se pede comentários inteligentes justamente para quem não pode escrever um, só para mostrar toda a insignificância daquele ser.

Hummmm!!! Ele nunca faria isso (acho!). Principalmente depois da chegada do PB. O menino deu uma certa adocicada no homem. Não que ele fosse um velho amargo e rabugento. Longe disso. O H. sempre foi um jovem (na medida do possível) gentil e educado com os amigos e, em igual medida, cruel e afiado com os inimigos – tendo em vista que os inimigos são todos aqueles com inteligência inferior a dele, ou seja, 90% da humanidade (sinto que ele não vai gostar disso), tirando eu, é claro (acho que ele tb não vai gostar disso). O cara sempre me deu uma força e muitas lições. E quanto a isso, irmão, não tem como não ser eternamente grato.

Mas voltando ao assunto, como escrever algo inteligente para alguém que é mais inteligente do que você e sobre a obra que essa pessoa mais inteligente escreveu? Parece-me justamente mais inteligente deixar a inteligência de lado.

E portanto, dispo-me da vergonha e evoco aqui um dos livros menos intelectuais que já li, porém muito engraçado e ao mesmo tempo tocante (veja bem: ele não é O mais engraçado, nem O mais tocante. É simplesmente o melhor da minha lista em uma categoria imaginária, que une os dois elementos - comédia dramática?. Não vale dizer que é comédia romântica, porque não é!).

Estou falando de Inconceivable, do fantástico comediante inglês (entre outras atribuições) Ben Elton (se você acha o Rafinha do CQC engraçado, precisa conhecer esse cara). Resumindo, o livro conta a história de um casal que tenta porque tenta ter um filho. Sem querer ser um estraga prazeres, mas já sendo, adianto que eles não conseguem. E a jornada até não conseguirem é hilária e emocionante.

Essa é mais ou menos uma caricatura do que foi a vida real de H. no que se refere ao episófio "meu filho". Só que o nosso “herói” tupiniquim tem um final muito mais feliz. Melhor do que o final, é a continuação da série. Se eu fosse Ben Elton, certamente daria um jeito de plagiar “Enfim, grávidos”, nomeando-o como algo do tipo “Conceived”, ou “Inconceivable, o retorno”. São os dilemas de um casal sem filhos, as idas às clínicas de fertilização, compras, reflexões, coletas de óvulos, tentativas, compras, fracassos, coletas de espermas, conquistas, compras e, agora, dilemas de casal com filho.

Engraçado e emocionante!

Thursday, April 09, 2009

Essa vida de correspondente...

Vida de correspondente é um tanto interessante. Estou gostando muito. Pena que é por tempo limitado, já que tenho data para voltar para o Brasil. É isso mesmo. Estou voltando. Dia 29 aterriso aí na terra tupiniquim.

Vou trabalhar para o Mercado Ético, para quem já estou trabalhando. Posso dizer que esse é o trabalho dos meus sonhos. Vou fazer nessa vida o que eu acho que eu deveria estar fazendo. Estarei, como já estou, envolvido com assuntos de primeiríssima importância para vida de todos nós. Como todos sabem, o Mercado Ético é um site dedicado a assuntos ligados à sustentabilidade.

A nível pessoal, há algo ainda mais importante. O time! Gostemos ou não, trabalho envolve outras pessoas. Pelo menos na maior parte do tempo é assim. E o time com quem vou trabalhar é de primeira. Parodiando o Faustão, tanto no pessoal quanto no profissional.

Ainda não conheci o Ze Maurício, que é o diretor do Mercado Ético. Mas pelo que ouço dele e pelas nossas conversas, o homem é ponta-firme. Com relação à Letícia, sem palavras. Ela é amiga das antigas. Uma pessoa da melhor qualidade. Diria até que da maior qualidade. E foi ela quem me colocou lá dentro.

Primeiro, me convidou para escrever alguma coisa para o site. Depois escrevi mais. Fui escrevendo. Surgiu a chance e ela me deu muita força.

Valeu Lele!

É triste deixar Londres, mas é mais triste ainda não botar o seu potencial para funcionar. E é por isso que estou feliz em voltar.

Mas antes de ir, ainda vou postar uma coisinha aqui e outra ali. Temos pela frente, no mínimo, a maratona de Londres e a minha festa de despedida.

Nos vemos por aqui, ali e em qualquer lugar.

Saturday, March 28, 2009

Onda de protestos espera a cúpula do G-20

O encontro dos líderes de governo do G-20, grupo que envolve as maiores economias do mundo, será no dia 2 de abril, na quinta-feira, mas movimentos de protesto já estão se organizando e espalhando a voz.

Hoje mesmo, sábado, dia 28/3, um grupo formado por sindicalistas e Organizações Não-Governamentais vai fazer uma caminhada pela região central de Londres. Ao todo, estima-se que mais de 1.500 pessoas farão parte do movimento, que exigirá melhores trabalhos, um mundo com baixa pegada-ecológica e distribuição mais justa da riqueza.

No dia 1° de abril, dia da mentira, haverá mais manifestações na região de Bank, onde está o Banco Central do Reino Unido.

Eu estarei cobrindo tudo o que envolver o G-20 para o Mercado Ético. Aliás, ontem mesmo fiz uma bela de uma entrevist com um ativista do Climate Change. Tudo será publicado dias antes do G-20, no www.mercadoetico.com.br.

Thursday, March 12, 2009

Dito e feito

Antes de mais nada, parabéns para mim! Este é o 101° post deste blog, que beira os três anos de existência. Como o texto anterior foi mais sério, não quis confundir meus leitores entre o útil e o fútil.

Útil, por exemplo, é informar em primeiríssima mão, como o fiz quando disse que o pessoal de Brasília preparava secretamente uma visita do príncipe Charles ao Distrito Federal. Leia o Extra! Extra! Príncipe Charles vai a Brasília.

Fútil é se gabar disso.

Sunday, February 15, 2009

Jesus divertido é personagem do novo livro de Timothy Freke e Peter Gandy

Vai aí a dica de um bom livro: The Gospel of the second coming (O evangelho da segunda vinda), dos infâmes escritores ingleses – no bom sentido, se é que há bom sentido para a palavra - Timothy Freke e Peter Gandy, autores de “Os mistérios de Jesus”.

De acordo com os próprios, The Gospel of the second coming é um apanhado de outros trabalhos publicados anteriormente por eles. Só que desta vez, resolveram fazer algo mais fácil e divertido para o público.

É assim: Jesus reúne-se com seus apóstolos – Maria Madalena está entre eles - para planejar o seu novo evangelho, que, de certa forma, desmascara as bases do cristianismo. De acordo com “as próprias palavras do messias”, sua história é apenas uma alegoria para explicar a gnose.

Veja abaixo um videozinho com Timothy Freke falando sobre o polêmico livro.

Monday, May 05, 2008

A vitória do doidão e Fulham na primeira divisão

Só para você ter uma idéia do que significa a vitória de Boris Johnson, o candidato do Partido Conservador à prefeitura de Londres, o caderno de esportes do jornal The Sunday Times diz o seguinte: “Se Boris Johnson ganhou as eleições em Londres, Fulham pode escapar do rebaixamento.”

Não sei a quantas anda os conhecimentos dos brasileiros sobre o violento futebol inglês, mas Fulham é um timeco de mer** que, até a semana retrasada, tinha apenas cinco vitórias dos, então, 35 jogos disputados na temporada 2007/08 da Premiereship, a primeira divisão daqui. Agora são sete vitórias em 37 partidas.

Em antepenúltimo lugar na tabela, o rebaixamento era dado como certo. Mas o time do podre-de-rico Mohamad Al Fayed, aquele mesmo dono da elegante loja de departamentos Harrod’s e pai do desarfortunado Dodi, o último namorado da princesa Diana (ambos morreram em um acidente de carro em Paris. Al Fayed pai jura por deus que foi tramóia da família real), está, pouco-a-pouco, escapando do “inevitável”.

Uns chamam isso de milagre, outros, de sacanagem (competência para ganhar os dois últimos jogos fora de casa é que não foi).

No caso de Johnson, pode ter sido milagre, mas dizem por aí que foi burrice do eleitorado ou, até mesmo falta de opção (leia Votar é sempre uma dificuldaaade!!!).

Ainda bem que essa culpa eu não carrego. Já me basta o peso do Lula. Aliás, se Lula foi reeleito, o que não é possível neste mundo? Só falta agora o Rubinho ser campeão mundial de Fórmula 1.

Daí eu saio correndo, porque é o fim do mundo (vou procurar uma rede, pra morrer deitado).

* Na foto, o doidão está em frente à prefeitura, de onde saiu para levar sua bike para um passeio às margens do Rio Thames.

Tuesday, January 23, 2007

Três livros para ler antes, durante e depois de morar em Londres


Está pensando em passar uma temporada em Londres? Então, em vez de dizer qual é a melhor forma de vir para esta cidade ou sobre quais os passeios e baladas da moda, indico três livros (só três. Dá para ler durante o um mês ou dois em que espera o visto de estudante chegar) que mostram um outro ponto de vista da cidade e do espírito inglês. Aliás, mesmo que não queira vir para cá, tenho certeza que vai aprender e, principalmente, se divertir muito com essas leituras.


The Buddha of Suburbia (Buda de Subúrbio), de Hanif Kureish

Antes de vir para Londres, eu imaginava uma Inglaterra beirando a totalidade branca. Ingenuidade minha. Tem gente do mundo inteiro aqui. Muita gente. Mas enquanto eu vejo isso de forma lúdica, o personagem Karin, um jovem inglês - filho de pai indiano e de mãe inglesa -, acha o fim do mundo. Ele sofre com a miscigenação e o preconceito dos brancos por causa de sua pele escura. E assim vai durante o transcorrer de sua adolescência para o mundo adulto. No decorrer de sua tragicomédia (mais comédia do que qualquer outra coisa), Cream, como é conhecido pelos amigos, apresenta ao leitor alguns personagens típicos dessa cidade, assim como pontos-turísticos, mesmo que não sejam vistos como tal pelo narrador (o contrário seria a mesma coisa de um paulistano dizer que o Parque do Ibirapuera é seu ponto turístico preferido. Não. Para ele é somente mais uma parte da cidade).


The curious incident of the dog in the night-time (O estranho caso do cachorro morto), de Mark Haddon

Inglês aprende a ser sarcástico desde criançinha. É o jeito que a língua funciona, que os pais educam e que os livros (ficcionais) ensinam, como esse aí de cima. Em The curious incident of the dog in the night-time, um jovem de 15 anos com “necessidades especiais” (ele é autista) tenta descobrir quem foi que matou o cachorro da sua vizinha. Assim, ele investiga todos os suspeitos daquela pacata cidade do interior da Inglaterra. Na medida em que prossegue em sua empreitada, descobre coisas assustadoras para seu compreendimento e decide fugir. Vai parar em Londres, onde sua cabecinha atormentada vai se abrindo para a vida. O garoto também é um ótimo guia turístico, incluindo em sua descrição vários símbolos da cidade, como o do metrô, do trem e alguns mapas.


The astrological diary of God (acho que ainda não foi traduzido para o português. Se alguma editora se interessar, posso fazê-lo. Cobro baratinho), de Bo Fowler

Este é um dos livros mais engraçados que você vai ler na sua vida. É o bom e velho humor inglês literalmente tirando um sarro de deus. É isso mesmo. A história tem como personagem central o próprio. Trata-se de um kamikaze que, depois de falhar em diversas missões suicidas, descobre que é Deus. Como tal, baseia sua vida e a de seus seguidores em um livro-guia astrológico. Sugere até animal de estimação de acordo com o signo de cada um (eu ia me dar muito mal. Sou escorpião). Enquanto isso, seus advogados tentam livrá-lo de uma acusação grave: a destruição do universo.

* Na foto, eu lendo um dos meus livros favoritos: The Buddha of Suburbia, de Hanif Kuraish. A obra pode ser encontrada em português sob o título "Buda de subúrbio".

Wednesday, September 20, 2006

Quem tem medo do PCC?


Leicester Square é um dos pontos mais balados da cidade. Principalmente em dias de lançamentos de filmes. A Odeon, uma das maiores redes de salas de cinema da cidade, costuma receber atores como Tom Cruise, Brandon Routh (o novo Superman), Jonny Deep entre outros, que promovem seus filmes naquele por lá.

Mas é em uma ruazinha ali do lado que fica o meu cinema favorito. É o PCC – Prince Charles Cinema. Além de passar clássicos da telona, as entradas são disparadas as mais baratas. Em dia caro, o ingresso custa 4,50 libras. Às sextas-feiras, somente uma mísera libra. Aliás, não só o filme, mas também a cerveja, o refrigerante, a pipoca, os doces, os salgados e tudo mais apresentado na prateleira da lanchonete do cinema.

Como deu para perceber, o PCC daqui também é um perigo. Mata a concorrência (ra. Eu e meu humor inglês)!

* Na foto, eu faço pose de ator bem na frente do PCC.

Monday, July 03, 2006

Swing da Mandinga enfeitiça torcedores frustrados (primeiro da série “Músicos brasileiros em Londres”)



Não foi desta vez que o Brasil foi hexa. Tudo bem. Foi só a nossa primeira tentativa de ganhar a Copa do Mundo de novo. Apesar disso, a tristeza fica e só com Mandinga para o povo ficar feliz.

Pelo menos foi assim no domingo, 1/7, depois da vitória da França em cima da seleção amarelada. A banda dos brasileiros Kiko Perrone (vocal, violão e guitarra) e Kita Steuer (vocal e baixo), que também conta com o inglês Charlie Lewis nos teclados e com o português Mike Gomes na bateria – além deles, essa exibição contou com a participação especial do percurssionista Lucas Azevedo (falarei mais dele em futuros posts) -, animou os torcedores frustrados que assistiram ao jogo na casa de shows Guanabara, um dos maiores redutos da música brasileira em Londres.

Ali, o público conferiu a qualidade musical do quarteto (que estava quinteto) em um repertório baseado no reggae, soul e samba-rock. Tudo isso demonstrado por meio de sucessos internacionais e brasileiros, além de composições próprias. Arranjos, solos e rifes vibrantes rechearam a performance da banda. Apresentação impecável. Também pudera. O que tem menos tempo de estrada toca há 15 anos.

Conexão Sampa – Londres
Kiko e Kita se conhecem há 20 anos. Trabalhavam juntos em São Paulo. Eram músicos de estúdio, o que significa que tocavam na gravação de CDs de outros músicos. Em 2004, já em terra bretã, os dois formam a banda Mandinga.

Entre apertos e perrengues, os dois superaram as dificuldades e estão conseguindo viver somente de música nesta cidade. “Londres é muito melhor do que São Paulo para a música. temos muito mais shows aqui", afirma Kita. Já Kiko pondera: “No Brasil, eu estava cada vez melhor na minha carreira de compositor. Mas acho que a principal vantagem de viver aqui é a qualidade de vida.”

Para saber mais sobre a banda Mandinga, visite o site www.mandingamusic.com.

* Na foto, que foi Maluf quem fez (no caso, Ricardo Maluf - agradeço a colaboração), Kita e Kiko felizes da vida com a estréia no Guanabara. Nem ligaram pro 1 x 0 da França.