Monday, July 24, 2006

Speakers’ Corner é o exemplo mais claro de liberdade de expressão


O Hyde Park é o maior e um dos mais bonitos parques da região central de Londres. Jardins, lagos e uma ampla área de lazer chamam a atenção dos visitantes. Só que isso é o mínimo que se espera de um parque em Londres. E isso há em quase todos os parques da cidade. Mas existe uma rua ali que é única: a Speakers’ Corners (algo como rua dos dircursadores).

Nela, principalmente nos domingos de sol, pessoas de diferentes ideologias expõem e defendem suas crenças. Tem japonês da Universal Church of the Kingdom of God (pasmem, é a Igreja Universal do Reino de Deus, aquela do bispo Edir Macedo sim. Essa turma até que faz um sucesso aqui), negros contra o racismo, mulçumanos, políticos e, claro, os céticos. Isso sim é democracia.

O mais interessante é que essa tradição é secular. Os primeiros Speakers apareceram por lá em 1872, quando foi criada uma lei legalizando o ato de falar em público.

Ok, ok! Legal. O problema é que com tanta gente acreditando em coisas tão diferentes fica difícil acreditar em alguma coisa. Por isso entrei para o time do amigo da placa ali na foto, que dizia “Do not beleave anyone. Including me" (não credite em ninguém. Nem em mim).

* Na foto da esquerda, um mulçumano prega a palavra de Ala na Speakers` Corner, sendo observado por um cético, cuja placa declara que não existe inferno. Na foto ao lado, esse mesmo homem mostra o outro lado da placa: "No credite em ninguém. Nem em mim."

Thursday, July 20, 2006

Europeu não toma banho e o legítimo humor brasileiro


“Vamos falar de um tal de Santos-Dumont, um brasileiro que supostamente inventou o avião”, disse o professor de inglês, em um toque sutil e provocativo, típicos do humor inglês, por assim dizer.

“Supostamente o escambau”, responde uma aluna brasileira indignada. “Não só inventou o avião, como também o relógio de pulso.”

“E digo mais”, toma a palavra um outro brasileiro. “Não só inventou o avião e o relógio de pulso, como também o chuveiro, coisa que você não usa há muito tempo”, ataca afiadamente, em um misto de presença de espírito, conhecimento e, claro, humor brasileiro (por razões de segurança, os personagens não serão identificados).

Rarararararararararara. A classe explode em risos. Então, ria também!

Moral da história
Não diria que é verdade a fama do europeu não tomar banho. Mas não me atreveria a desmentir. De vez em ‘sempre’ cruzamos com uma turma fétida nas ruas, causando até ardência nas narinas.

Talvez justamente pelo fato do europeu ter essa fama emporcalhada que o professor ficou sem graça com a piada, mesmo não carregando ele a fedorentina. Por outro lado, se ficou embaraçado, deve ser porque, vez ou outra, o sujeito pula o banho.

OK. Não vamos generalizar. Conheço uma espécie inglesa que nunca deixa de banhar-se: os patos. Gostam tanto que, dia desses, passeando pelas intermediações do Green Park, ali perto do Palácio de Bunckingham, pude flagrar um exemplar dessa espécie curtindo em uma fonte real. Refrescante!

* Na foto, patinho inglês toma seu banho diário. Ele nem deu bola para os olhares curiosos dos turistas.

Tuesday, July 18, 2006

Mantra Dance Fetival dos Hare Krishnas: eu fui!


No fim de semana que passou, fui convidado para ir a uma festa que, essa sim, chamaria de inusitada: Mantra Dance Festival!

Não sabia o que esperar de um evento organizado pelos hare krishnas londrinos, como foi esse. Em minha cabeça, o pré-conceito harekrishiano dizia-me que essa seria uma festa estranha com gente esquisita, na melhor forma de Eduardo, aquele da Mônica, que fazia sucesso na voz do Renato Russo. Mas como um carinha mente-aberta que tento ser, fui. E não é que eu tinha razão?

Os seguidores do movimento estavam vestidos a caráter, ou seja, com aquelas roupas parecidas com mortalhas, que eles chamam de dote (ou algo do tipo). Também ouviam em alto e bom som o infindável mantra “Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare”. Os versos eram cantados horas a fio por bandas (se é que posso dizer assim), cujos músicos faziam suas performances com instrumentos típicos da índia. Moças e rapazes dançavam em êxtase com o hipnotismo daquele som. Lembrou-me vagamente a dança da caverna em Matrix Reloaded. Uma moça me avisa: “Olha. Eles não usaram nada não, viu? É uma loucura natural.”

Deu para perceber. Até porque não eram somente os jovens que estavam ali. Senhores e senhoras de aparência distinta também compareceram. Só que esse grupo não ousou dançar, apenas apreciar a adoração ao deus Krishna.

Ponto de vista
Mesmo sendo eu um vegetariano e um abstêmio de drogas, alguns dos preceitos básicos dos seguidores dessa religião, confesso que me senti um peixe fora da água. Conversando com uma adoradora de Krishna, tentei entender um pouco dessa filofia. Para falar bem a verdade, não entendi nada. Por isso, não vou tentar explicar.

O que ficou foi a mensagem de paz. Não me atreveria julgar algo que não conheço. Falo somente daquilo que vi.

Então, deixo aqui minha mensagem de paz para você, leitor.

Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare. Dizem que esse mantra tem muito poder.

* Na foto, gentilmente cedida pelos hare krishnas, a banda e os seguidores do movimento em adoração ao deus hindú.

Tuesday, July 11, 2006

Palácio de Bunckingham: o que dizer?


Já visitei o palácio de Buckingham algumas vezes. O que dizer? Nada além de “o brasão da família real fixado nos portões de entrada é bonito”.

O que mais?

Uma inevitável resposta vem aminha mente: “pô. Sei lá, entende?”

Tudo bem que a construção foi residência oficial da monarquia inglesa desde 1837, na época da rainha Vitoria – agora, a rainha Elizabeth II, que morou muito tempo lá, volta para o Castelo de Windsor, onde passou sua juventude. Também é verdade que ali já passaram e ainda passam líderes de estados do mundo todo - inclusive o Lula esteve lá recentemente para tomar um chá com a rainha. Sem contar na abundância numérica de suas dependências - ao todo, são 429 cômodos divididos em 19 salas, 52 quartos, 188 quartos para empregados, 92 escritórios e 78 banheiros – e da riqueza que suas paredes e tetos abrigam. Ah. Esqueci de falar sobre a maior mesa de jantar do mundo: 55 metros de comprimento, nove de largura e 160 lugares (informações colhidas no site da revista Isto É).

Mas há algo de estranho com aquele monte de tijolos e cimentos. Ele é imponente, bem digo, porém, suas linhas são destoantes. Algumas vezes olho para ele e não vejo nada além do que um prédio largo do Cingapura, aqueles das favelas de São Paulo. Até a cor é parecida.

Vai ver que é por isso que o Palácio de Buckingham é considerado uma das construções mais feias de Londres. Se não estou enganado, ficou em quarto lugar.

Saturday, July 08, 2006

7 é o verdadeiro número da besta no Reino Unido

Ontem, 7/7, fez um ano que os terroristas islâmicos detonaram uma série de bombas no metrô de Londres e em um ônibus. Por conta disso, 52 pessoas morreram. Como forma de recordação e respeito, os ingleses fizeram, ao meio-dia, dois minutos de silêncio.

Onde eu estava há um ano
Lembro que eu estava na aula de inglês quando a professora Jennifer, uma bela loura canadense, anunciou o fato. O diretor reuniu a todos no espaço que deveria ser a cantina do prédio e explicou a situção, dizendo que não haveria aula no dia seguinte.

Aquela quinta-feira estava cinza, mas quente. De vez em quando garoava. Eu tentava ligar para casa, no Brasil, mas era impossível. Os celulares não tinham sinais e os telefones públicos não davam conta de completar as milhares de ligações que estavam sendo feitas.

Foi o dia da besta. Estranho um dia da besta cair no dia 7/7 do ano de 2005 (2 + 0 + 0 + 5 = 7), matando 52 pessoas (5 + 2 = 7). Cadê o 666? O 7 não é(ra) um número sagrado? Aqui no Reino Unido não. A besta tem a marca do 777 - 7. Ou terá sido esse um castigo de Deus?

E estão dizendo que vem mais por aí.

* Na foto, gentilmente roubada do site do estadão (desculpe a falta, caros colegas), o primeiro ministro Tony Blair, que muitos dizem ser uma besta, outros ministros e alguns bombeiros fazem dois minutos de silência em recordação às vítimas dos ataques terroristas de 7/7/2005.

Monday, July 03, 2006

Swing da Mandinga enfeitiça torcedores frustrados (primeiro da série “Músicos brasileiros em Londres”)



Não foi desta vez que o Brasil foi hexa. Tudo bem. Foi só a nossa primeira tentativa de ganhar a Copa do Mundo de novo. Apesar disso, a tristeza fica e só com Mandinga para o povo ficar feliz.

Pelo menos foi assim no domingo, 1/7, depois da vitória da França em cima da seleção amarelada. A banda dos brasileiros Kiko Perrone (vocal, violão e guitarra) e Kita Steuer (vocal e baixo), que também conta com o inglês Charlie Lewis nos teclados e com o português Mike Gomes na bateria – além deles, essa exibição contou com a participação especial do percurssionista Lucas Azevedo (falarei mais dele em futuros posts) -, animou os torcedores frustrados que assistiram ao jogo na casa de shows Guanabara, um dos maiores redutos da música brasileira em Londres.

Ali, o público conferiu a qualidade musical do quarteto (que estava quinteto) em um repertório baseado no reggae, soul e samba-rock. Tudo isso demonstrado por meio de sucessos internacionais e brasileiros, além de composições próprias. Arranjos, solos e rifes vibrantes rechearam a performance da banda. Apresentação impecável. Também pudera. O que tem menos tempo de estrada toca há 15 anos.

Conexão Sampa – Londres
Kiko e Kita se conhecem há 20 anos. Trabalhavam juntos em São Paulo. Eram músicos de estúdio, o que significa que tocavam na gravação de CDs de outros músicos. Em 2004, já em terra bretã, os dois formam a banda Mandinga.

Entre apertos e perrengues, os dois superaram as dificuldades e estão conseguindo viver somente de música nesta cidade. “Londres é muito melhor do que São Paulo para a música. temos muito mais shows aqui", afirma Kita. Já Kiko pondera: “No Brasil, eu estava cada vez melhor na minha carreira de compositor. Mas acho que a principal vantagem de viver aqui é a qualidade de vida.”

Para saber mais sobre a banda Mandinga, visite o site www.mandingamusic.com.

* Na foto, que foi Maluf quem fez (no caso, Ricardo Maluf - agradeço a colaboração), Kita e Kiko felizes da vida com a estréia no Guanabara. Nem ligaram pro 1 x 0 da França.

Wednesday, June 28, 2006

Sonhos de uma Londres de verão

É uma outra cidade essa que surge com o verão. O verde das árvores, que veio tímido com o fim do inverno, agora toma conta de todos os lugares. Com o verde, as pessoas enchem as ruas, parques, PUBs (lê-se algo como pâbi e não púbi, o que pode te trazer complicações se falar assim com um inglês) e, acreditem, até cemitérios. Tem festa e farofa por toda parte (e a cidade fica cada vez mais suja).

Por falar em forofa...
Essa forma de comemoração é feita como no Brasil. As pessoas levam comidas e bebidas para espaços públicos, ondem celebram a volta à vida, mesmo sem saber que estão comemorando essa páscoa que não é páscoa. Mas, ao contrário do povo tupiniquim, aqui não há preconceito com os farofeiros. Até porque, aqui, todo mundo é plebeu (tirando o pessoal da monarquia, é claro).

Enquanto isso...
Nas margens do River Thames (Rio Tâmisa), lá estão eles de novo. Já estava com saudades dos homens-estátuas, que só se movem com o som da moedinha atirada no chapéu (quando entra cisco no olho também. Mas um foi esperto e botou óculos escuros. Ficou estranho, porque nunca vi estátua usar óculos. Mas...).

E o céu então?
Ah. Nada daquele cinza típico das outras estações. Acreditem! No verão, o céu londrino é azul celeste e o sol queima a valer. Ainda não está assim. Mas vai ficar. Os ingleses vão deixar de ser brancos. Vão ficar rosados e ardidos. Os ônibus, que não têm ares-condiciados, vão virar o inferno de tão quente. E vai ser assim pelos próximos dois meses (ou menos).

De qualquer forma, Londres fica linda vestida com as cores do Brasil: o verde das árvores, amarelo do sol e do ouro de algumas construções daqui, azul do céu e o branco da... (deixa eu ver) Ah! Já sei! O branco das pessoas (nem todas).

* Nas fotos, gente fazendo farofa e passeando no lago de Hyde Park, homem-estátua de óculos escuros (estranho) e a multidão em Piccadilly Circus.

Tuesday, June 27, 2006

Nota de esclarecimento

Amigos, leitores e leitores amigos,

Esta semana recebi algumas reclamações de que não estou atualizando meu site. Assim, em respeito a vocês, que sempre me prestigiam com suas visitas, gostaria de esclarecer o fato. Acontece que feri seriamente meu dedo médio da mão direita. Foi um corte feio, profundo. Sangrou muito. E por conta do curativo, não pude escrever no computador. Foi só um dedo, eu sei. Mas acreditem em mim. Um dedo faz diferença. E não é só pra escrever não...

Novidades
Para mostrar que meu blog continuará com sua missão de levar entretenimento, informação e, talvez, alguma reflexão a vocês, aí vai uma prévia dos posts que serão publicados nas próximas semanas:

- Sonhos de uma Londres de verão
- Rage against de racism
- Camden Lock é mutcho lock
- Batata, batata, batata… batataaaaaa

Além das series de reportagens:

- Como viver de música em Londres
- Os piores trabalhos da cidade
- Grandes parques
- Parques marginais

Quero registrar também que haverá, pelo menos, um post novo a cada semana (como já venho fazendo). Só vai falhar se algo sério acontecer.

Esclarecimento dado, espero continuar contando com sua visita. Isso sim muito me enobrece.

Um beijo grande (ou um abraço, se preferir),
Henrique Camargo

* Provavelmente este é o único post sem foto que será publicado neste blog.

Tuesday, June 20, 2006

Quer dizer que brasileiro é tudo igual?


Para começar, devo alertar o leitor de que esta é uma história verídica. O aviso é importante, porque esse é o tipo de acontecimento que tem cheiro de conto de pescador. Provavelmente, eu mesmo não acreditaria nele se o fato não tivese ocorrido comigo mesmo.

O pré-causo
Dias atrás, durante um bate-papo no tête-à-tête com uma chinesa... Chinesa? Não. A chinesa, na verdade, era de Taiwan. Deve ser taiwanesa. Não dei muita bola para isso, porque chinês e taiwanês são todos a mesma coisa.

“A mesma coisa? Você está louco”, grita a chinesa, digo, taiwanesa, aqui na minha mente. Que medo! “Temos nossos próprios governantes. Somos um país livre”, diria ela para vocês. Pelo menos foi o que a moça disse para mim.

Ok. Chinês e taiwanês são diferentes. São tão diferentes que seria a mesma coisa de comparar um chinês a outro chinês (ou taiwanês - rerere). É muita diferença.

O causo
Despois de ficar claro que a China não tem nada a ver com Taiwan - tanto não tem, que o gigante asiático nunca pensou em mandar o exército para o nanico, porém rico, vizinho e acabar com sua frescura de emancipação -, a garota de olhos puxados, que parecia ser chinesa, falava igual chinesa, cheirava igual chinesa, comia igual chinesa, mas não era chinesa, perguntou de onde eu era.

“Sou brasileiro”, respondi.

“Eu já sabia”, treplicou.

“Como?”, perguntei.

O inesperado aconteceu. Contrariando todas as minhas expectativas de respostas, ela mandou a seguinte frase: “É que os brasileiros são todos iguais!”

Tudo bem. Chinês tem o olho fechado mesmo, não é?

* Na foto (essa sim uma mentira), quatro brasileiros passeiam nas ruas da China vestindo trajes típicos de inverno. Acho que a garota estava certa. Brasileiro é tudo igual mesmo.

Friday, June 16, 2006

O ano que não passou


Vargem Grande Paulista, 15 de junho de 2005.
Há dias pensando no dia de hoje. É hoje! Às oito da noite o avião decola. “Eita porra!”, como diria meu amigo baiano. Tenho que estar no aeroporto às 4 da tarde.

Acordo cedinho. Dou conta dos últimos preparativos da minha viagem. Tudo certo? Ok. Vambora.

Meu pai me leva para fazer algumas coisas e para me despedir de outras pessoas. O Vini, meu irmão mais novo, vai com a gente. Minha mãe, a tia Iara e minhas primas Juliane e Lígia vão me encontrar no aeroporto. Meu irmão do meio, o Fabrício, não pode ir. Trabalho!

Já são três da tarde. Chego no aeroporto antes da hora. Bom! Tenho tempo para trocar mais um dinheirinho (a moeda brasileira, por mais que você tenha – o que não era o caso -, vai ser sempre dinheirinho) e de comprar uns cadiados para as minhas malas. Meu pai e minha mãe fazem o check-in em meu lugar. Enquanto isso, como uma pizza de despedida. Não é a pizza mais gostosa do mundo. Pizza Hut. Mas tudo bem. È a pizza que eu estou acotumado a comer aqui.

Choradeira (mas nem tanto – acho que nem teve choradeira). Mesmo assim, “Affe Maria”. Tchau gente. Tchau Brasil.

Londres, 16 de junho de 2005.
Cheguei.

Um ano depois!
Quantas coisas aconteceram? Em quantos lugares estive? Quantas pessoas conheci? Muitas! Estou marcado pela cidade na carne e na alma.

Mesmo assim, a impressão é de que o ano não passou. Parece que todo dia da minha vida é o 16 de junho de 2005. Todo dia parece que estou apenas chegando aqui.

E por mais que sejam iguais, um dia é diferente do outro. E por mais diferentes, os dias são todos iguais.

Estou aqui há um ano. Parece que o ano não passou. Tive aniversário, carnaval, Natal e ano novo. Mas tudo sem gosto. Não pelas pessoas com que festejei, mas pelo significado. Não havia um. Era tudo diferente. Aquilo era tudo aquilo, mas parecia não ser.

Estou aqui há um ano: o ano mais diferente da minha vida!

* Na foto, eu há um ano pensando na morte da bezerra. Elas sempre morrem do mesmo jeito, né? Com porrada na cabeça.

Monday, June 12, 2006

Eu sou a seleção


Amanhã, 13/6, a seleção brasileira estréia na Copa do Mundo da Alemanha. Amanhã, às 8h da noite (GMT – Greenwich Mean Time), eu estréio nos campos alemães.

Não. Vocês sabem que eu não vou jogar. Sim, estou em Londres ainda.
E é por isso mesmo que amanhã, aqui nesta cidade, eu sou a seleção brasileira, assim como Heiko é a seleção alemã e Roberto, a italiana.

Na Copa do Mundo, principalmente quando estamos na Torre de Babel, cada indivíduo torna-se todo o time de sua nação. Tanto que as perguntas são: E aí? Você vai ser campeão? E eu respondo: Claro!

Brasil – il – il!!!

* Meu pescoço ainda anda torto depois de carregar as cervejas. Mesmo assim, estou lá.

Saturday, June 10, 2006

Pelados em Londres


Inglês é tão louco por futebol quanto brasileiro. Mas nem todos. Alguns são mais politicamente engajados. Tanto que o grupo World Naked Bike Ride (Ciclistas Nus do Mundo) ignorou completamente a estréia da seleção inglesa na Copa do Mundo e reuniu cerca de 500 ciclistas neste sábado (10/06), entre as 14 e 17h, em baixo do Wellington Arch, um dos pontos mais populares da cidade.

De acordo com Bernard (que nao quis dar mais detalhes do nome), de 62 anos, um dos organizadores da manifestação, neste terceiro ano do passeio - sempre realizado no sábado da semana do meio ambiente -, o objetivo é chamar a atenção das autoridades para os problemas causados pelo petróleo. “As pessoas também devem aprender a usar mais os transportes públicos ou procurar formas alternativas de locomoção, como a bicicleta. Assim, além de diminuir a poluição, teremos mais gente preocupada com uma convivência amigável entre ciclistas e motoristas”, completa.

Para aumentar a audiência
Rod Currie, um dos ciclistas participantes do passeio, diz que essa forma de protesto é muito mais produtiva do que qualquer outra. “Se não estivéssemos pelados, a imprensa não se preocuparia em cobrir e divulgar nossas idéias”, afirma o contador de 39 anos. A jovem Regan Davis concorda: “Há dois anos vou ao trabalho de bicicleta e sei muito bem quais são os perigos que corro nas ruas de Londres. Essa é uma ótima oportunidade para protestar”, diz.

O francês Fraçois Tempé também apoia a causa. Como cidadão que preteriu o carro à bike, acha que um protesto nu é muito mais eficiente. “Não acho que aqui em Londres seja tão ruim. Mas existem outros cantos do mundo em que a situção é realmente alarmante. Acredito que este evento ajude a levar a nossa idéia para outros lugares além de Londres”, conclui.

*Fotos e textos (para o meu bem ou mal): Henrique Camargo, finalista de mais um Prêmio Abril de Jornalismo

Tuesday, June 06, 2006

Os reis sem coroas


Então a monarquia acabou e/ou perdeu o poder? Não que eu saiba. A coroa, talvez, tenha apenas mudado de côco. Mas seus princípios continuam aí, no mundo todo. Assim como os velhos coroados, esses mais atuais (mas também não tanto) gozam do poder. E gozam não apenas no sentido de tirar proveito de certos privilégios, mas também no sentido de tirar sarro mesmo, haja visto o caso da Suzane.

Depois da Revolução Industrial, iniciada lá no século XVIII nesses solos ingleses que piso agora, os burgueses passaram a ser os novos reis. Com o capital acumulado, construíram seus palácios, adiquiriram suas carruagens e, principalmente, fizeram valer a lei da hereditariedade. E ainda propagandeiam por aí a possibilidade de todo mundo virar rei.

Mas se todo mundo virar rei, quem é que vai fazer o trabalho sujo?

Papo chato, né? Vai carregar 300 litros de cerveja nas costas pra ver como o seu humor vai ficar.

* Na foto, eu, de sobretudo, fazendo pose de rei em frente do Palácio de Buckingham. Também fazem pose uns carinhas e o guardinha real.

Thursday, June 01, 2006

A homogeneidade no heterogêneo

Indiano daqui, que não fala com o turco dali, que não dá bola para os mulçumanos de lá, que ignoram os pretos de cá, que não falam com os brancos de lugar nenhum que, por sua vez, ignoram todo o resto.

Nessa terra, Londres, tem gente de todo canto sim. É uma misturada louca. Mas é uma mistura que não se mistura. É água e azeite. Como ensinava o professor Daniel, o Matuza do Madreco (não há razão para explicar o apelido. Foi só para quem o conhece o reconhecer), é uma mistura heterogênea.

De vez em quando isso muda e o normal, que outrora era ver cada macaco no seu galho, passa a ser uma mixegenação cultural, cuja interatividade inter-racial rompe preconceitos de credos, cores, religiões e outras coisas do tipo. O caldo esquenta e a mistura se homogeneiza (falei pouco, mas falei bonito).

E nessa onda, você acaba aprendendo que na Holanda o ano novo é comemorado no primeiro dia da primavera. Descobre que tem mulçumano porra-louca (não no sentido de terrorista, mas que toca o terror de outras maneiras, se é que vocês me entendem). Quem tem iraniano (uma iraniana, no caso) bem diferente daquele pintado pela imprensa (e como era doce essa iraniana). Que tem preto que não gosta de preto. Quem tem gente que gosta de todo mundo. Que tem maluco que não gosta de ninguém. E que, mesmo com toda essa diferença, todo mundo é igual. É sempre a mesma história contada de diferentes formas por diferentes pessoas.

* Na foto, eu metendo o nariz em um - por que não chamá-lo assim – encontro mundial.

Saturday, May 27, 2006

Cadê o gol?

E lá de Londres, o amigo liga para o Brasil.

- Poxa, como pode um cara tipo o Galvão não gritar gol quando é gol?
- Sei lá. Mas o Galvão grita gol.
- Não falo do Galvão propriamente dito, mas dos locutores aqui da Inglaterra. Eles não gritam gol.
- Nossa mano. Que estranho.
- Estranho!? Chega a ser nojento. Deprimente. Dá pra imaginar o Grafite fazendo um gol e o Galvão não comemorar?
- Que Grafite o quê. Eu quero é o gol do Carlitos. O Galvão adora quando o Carlitos faz gol.
- Que seja. Imagine a bola balançando a rede e o Galvão não gritar gol.
- Cê tá louco! Não quero nem imaginar. Claro que o Galvão vai gritar. Até quando a Argentina marca em cima do Brasil o maldito berra. Se não gritar no gol do Carlitos, eu vou lá na Globo e mato o desgraçado!
- Cara. É isso que eu quero te explicar. O “Galvão” aqui da Inglaterra não grita gol. Ele começa a falar um monte de coisas, que eu não entendo.
- Se você não entende, como pode saber que não gritam gol?
- Porque gol é gol no mundo inteiro!
- Mesmo aí na Inglaterra?
- Aqui também. Aliás, o primeiro gol foi marcado aqui. Eles tinham obrigação de enaltecer o feito.
- Ah tá. Entendi. Concordo plenamente.
- Gol é sagrado. Ver um sem o testemunho do grito, não tem a menor graça. Se fosse o tal do rugby, tudo bem, porque o gol não é gol mesmo.
- Mas o que é rugby? E que papo é esse de gol não ser gol? Você mesmo disse que gol é gol.
- Mas no rugby é um pouco diferente. Sabe o futebol americano?
- Sei sim.
- Então. É quase a mesma coisa. Os jogadores carregam aquela bola oval e correm em direção a uma trave em forma de estilingue. Só que eles não querem saber de proteção. É o uniforme e pronto.
- É mesmo? Eles não usam capacete não?
- Que nada! Acho que se não fosse o risco de confundir os times, eles jogariam até pelados.
- Que veadagem.
- Brincadeira... Onde é que estávamos mesmo?
- No gol.
- Não, não. Na cara do gol. Você sabe que eu perguntei pro meu professor de inglês se há algum motivo pros Galvões daqui não gritarem gol?
- E o que foi que ele disse?
- O cara falou que é ridículo alguém gritar gol. Disse que é coisa de louco.
- Mas que mané!
- É!
- Olha. Eu acho o Galvão muito chato. Insuportável, pra dizer bem a verdade. Mas ele que se atreva a não gritar no gol do Coringão. Inglês é besta, é? Eles não gostam de futebol não?
- Eles amam futebol. Tanto ou (desculpe a heresia) mais do que os brasileiros.
- Mas, pelo jeito, não gostam de gol.
- Acho que gostam sim. Na verdade, acho que preferem ganhar. Com ou sem gol, o que importa é a vitória e não o show.
- Entendi... Espera um pouco, que o Coringão está no ataque. “Parou, bateu... É gol. Goooooooooooooooooooooooooooooooooooooollllllllllllll do Corinthians. Teves.” Goooooooooooooollllllllllll irmãzinho. O Carlitos marcou mais um. Chora pó de arroz.
- (Um resmungo) Eu odeio o Galvão. Tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu...

* Esta é uma obra de ficção, assim como os gols do Coringão.

Tuesday, May 23, 2006

O Natal eterno em Tower Bridge


Londres é uma cidade escura. O PCC iria gostar daqui. Os polítios, que adoram agir no escuro, também. E todo mundo que curte se esconder iria encontrar refúgio na penumbra londrina. Esta é uma cidade que não brilha à noite.
Mas como diria meu professor de biologia do Objetivo, cujo nome não me recordo, toda regra tem sua exceção (ele que inventou essa frase). E antes que me condenem, já aponto logo a Tower Bridge (foto acima), na região central de Londres, que brilha mesmo depois do escurecer. E como brilha. Brilha como o Natal. É só olhar as árvores nas margens do River Thames.
No Brasil tem carnaval fora de época. Em Londres, nas margens do rio, o Natal é o ano todo. Só inglês mesmo. Nem o Papai Noel faria isso. Mas Beth Faria... Ra –ra –ra!

Tuesday, May 16, 2006

Em busca do conforto perdido


Comprei sapatos novos (na foto ao lado subjugando um dos pares do velho CNS). Não são bem sapatos, bem sei. São trainers (tênis). Totalmente pretos. Para os donos do dinheiro, que reclamam de tudo com medo de perder o que (supostamente) os torna superior – o dinheiro -, não importa. Se não se nota que é tênis, pode usar.
Foi uma das melhores coisas que fiz aqui em Londres. O calçado tem amortecedores em lugares estratégicos. Onde mais me doía o pé, lá está uma bolha de ar envolta em uma película sintética, o que oferece abundante conforto aos meus pés – conseqüentemente, para a minha alma também - para entender melhor, leia “A estrita relação entre o (meu) pé e a (minha) alma”.

Saturday, May 13, 2006

Santíssima Trindade


Canary Warf é, de longe, o lugar que eu mais gosto em Londres. É bonito demais. A vida pulsa na extensão marginal do Thames. A vida grita mesmo do inanimado.
Estão vendo aqueles três prédios da foto? Estão imóveis nesse local. Eles formam as maiores verticalidades desta cidade – tem a torre da BT que também é grande, mas fica em outro lugar.
Vejo essas edificações como uma espécie de santíssima trindade. Ao centro, no prédio maior, encontra-se “o pai” encarnado na forma de um conglomerado de instituições financeiras. “O filho”, neste caso, está sentado à esquerda (direita do leitor), onde toma a forma do norte-americano Citigroup. E à direita (esquerda do leitor), está o “espírito santo”, que se mostra travestido do chinês HSBC. O pai tem toda a força. O filho tem o DNA e, talvez, até mais força do que o pai. Com tanta força quanto os outros, o espírito santo não tem o dna, mas é abençoado.
É muito dinheiro que se movimenta ali. Como diria o outro caçador de Flying Saucers, é “a força da grana que ergue e destrói coisas belas”. Chega a ser o vigor de uma trindade poderosa que, em um reino que não se constrói ou destrói muito, deixa seu povo unido e satisfeito com tanto dinheiro.
E assim, os súditos da rainha espalham-se pelo mundo inteiro. Somo escravos deste dinheiro. Ajoelhamos e beijamos os pés das santidades que detém toda honra e toda glória.

Sunday, May 07, 2006

A lua



A Lua (dizem os ingleses),
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma idéia se perde.

E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De... não sei se é desejar.

Sim, todos os meus desejos
São de estar sentir pensando...
A Lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando.

Fernando Pessoa

PS. Eu ainda não vi a lua azul. Mas se FP diz que dizem, deve ser verdade.

Friday, May 05, 2006

Da minha janela


Da janela aqui de casa, não dá pra ver muita coisa. Do lado direito tem um flat, que se estende até ficar de frente pra minha sala. À esquerda, tem árvore tampando a visão. Pra baixo tem o chão. Pra cima, um cinza caixão.
Mas não é sempre assim. Dias claros pintam com uma certa frequência. Tudo bem que esses dias não duram todo o dia, mas que são bonitos, são.
E foi assim, com a mente pulsando, o olho olhando, a câmera pedindo e a lua se abrindo, que nasceu essa foto.